Câmara aprova PEC da Segurança Pública em 2º turno

A Câmara dos Deputados aprovou em segundo turno a PEC da Segurança Pública (PEC 18/25), com ampla maioria: 461 votos favoráveis e 14 contrários. A proposta agora segue para análise do Senado Federal. O texto busca ampliar a integração entre os órgãos de segurança e garantir novas fontes de financiamento para o setor.

Deputados na votação em Plenário nesta quarta-feira / Proposta segue para o Senado / Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Entre os pontos aprovados estão a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas (bets) e de recursos do Fundo Social do pré-sal para o financiamento da segurança pública e do sistema penitenciário. A PEC também autoriza a criação de polícias municipais, reforça atribuições de forças federais e estabelece novas regras para distribuição de recursos aos estados.

Durante a tramitação, o relator Mendonça Filho retirou do texto a proposta de redução da maioridade penal para 16 anos. O presidente da Câmara, Hugo Motta, classificou a votação como um momento histórico, resultado de amplo diálogo político.

Sobre a PEC

A aprovação da PEC da Segurança Pública (PEC 18/25) pela Câmara dos Deputados representa, sem dúvida, um dos movimentos mais ambiciosos do Congresso nos últimos anos para enfrentar um dos maiores problemas do país: a criminalidade. No papel, a proposta reúne medidas importantes, como maior integração entre as forças de segurança, ampliação de recursos para o setor e a possibilidade de criação de polícias municipais. Tudo isso aponta para um sistema mais articulado e com mais capacidade de resposta.

No entanto, a eficácia da PEC dependerá menos do texto constitucional e mais da forma como essas mudanças serão implementadas. A destinação de recursos provenientes das apostas esportivas e do Fundo Social do pré-sal pode fortalecer o financiamento da segurança, mas não resolve, por si só, problemas estruturais como gestão, inteligência policial e coordenação entre União, estados e municípios.

Outro ponto que gera debate é a criação das polícias municipais. Embora possa ampliar a presença do Estado nas cidades, também levanta preocupações sobre sobreposição de atribuições e aumento de custos para prefeituras que já enfrentam limitações orçamentárias.

Mendonça Filho, relator da PEC / Fonte: Agência Câmara de Notícias

Por outro lado, a retirada da proposta de redução da maioridade penal, conduzida pelo relator Mendonça Filho, evitou que a PEC se tornasse ainda mais controversa, permitindo maior consenso político. Já o presidente da Câmara, Hugo Motta, classificou a aprovação como histórica, avaliação compreensível diante da expressiva votação obtida.

Em síntese, a PEC pode representar um avanço institucional na organização da segurança pública brasileira. Porém, como ocorre frequentemente no país, o verdadeiro desafio não está na aprovação da lei, mas na capacidade de transformá-la em políticas eficazes, com resultados concretos para a população. A expectativa agora se volta para o debate no Senado Federal, onde a proposta ainda poderá sofrer ajustes antes de se tornar realidade.

Daniela Reinehr assume Comissão de Turismo da Câmara

A deputada federal Daniela Reinehr (PL/SC) assumiu a presidência da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, com a proposta de fortalecer o setor como eixo estratégico do desenvolvimento econômico nacional. Em seu discurso, destacou a relevância do turismo, responsável por cerca de 8% do PIB brasileiro, mais de 6 milhões de empregos e 6,2 milhões de visitantes internacionais em 2025.

Entre as prioridades da nova gestão está a criação do Plano Nacional de Competitividade do Turismo Brasileiro no Mundo, com metas até 2030 voltadas à ampliação do fluxo turístico, geração de empregos, sustentabilidade, inovação e promoção internacional do país. Daniela também defendeu maior integração entre União, estados e municípios, além do diálogo com empresários e trabalhadores do setor.

A parlamentar ressaltou a experiência de Santa Catarina como referência nacional em turismo diversificado e organizado, afirmando que pretende levar o modelo catarinense para outras regiões. À frente da Comissão, ela pretende estimular investimentos, modernizar o setor e consolidar o turismo como política estratégica de desenvolvimento.

Câmara aprova MP que cria o programa de gás gratuito

A Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória que reformula o atual programa de auxílio para compra de gás de cozinha, agora chamado Gás do Povo. A proposta cria a possibilidade de famílias de baixa renda retirarem gratuitamente botijões de 13 kg em revendas credenciadas, substituindo gradualmente o pagamento em dinheiro, que deverá ser encerrado até 2027.

Hugo Leal, relator da medida provisória / Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Terão direito ao benefício famílias inscritas no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa. O programa prevê a distribuição de até seis botijões anuais, conforme o número de integrantes da família, além de incluir novas modalidades, como incentivo ao uso de sistemas de cocção com menor emissão de carbono.

População dependente do Estado

Embora a medida seja apresentada como uma política social voltada à segurança energética e à melhoria das condições de vida das famílias mais vulneráveis, ela reacende o debate sobre o papel do Estado na assistência social. Ao substituir o repasse financeiro pela entrega direta do produto, o governo amplia o controle sobre o benefício e tenta garantir que o recurso seja utilizado exclusivamente para a finalidade prevista.

No entanto, críticos apontam que a iniciativa pode ampliar a dependência da população carente em relação ao Estado, reduzindo a autonomia das famílias e criando um modelo assistencialista mais rígido. Além disso, há preocupações sobre possíveis distorções de mercado, como favorecimento de revendedores credenciados e aumento da burocracia para acesso ao benefício.

O Gás do Povo surge, portanto, como uma política que equilibra a tentativa de combater a pobreza energética com questionamentos sobre seus impactos econômicos, sociais e estruturais a longo prazo, especialmente no que diz respeito à emancipação financeira das famílias beneficiadas.

Em suma, em ano de eleição, um passaporte para o voto direcionado.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Votação insuficiente: Câmara mantém mandato de Zambelli

A Câmara dos Deputados decidiu manter o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Em votação realizada no Plenário, 227 deputados votaram pela cassação, 170 foram contra e 10 se abstiveram, número insuficiente para atingir os 257 votos necessários.

Plenário rejeita cassação por falta de votos e mantém mandato mesmo após condenação no STF / Foto: Portal CNN

O processo havia sido encaminhado após a CCJ recomendar a perda do mandato, em razão da condenação de Zambelli pelo STF, que impôs pena de dez anos de prisão, multa e perda do cargo. A deputada está presa na Itália, aguardando extradição.

A decisão reacendeu o debate sobre a relação entre o Legislativo e o Judiciário. Para parte dos parlamentares, cabia à Câmara decidir sobre o mandato. Já a oposição criticou a manutenção, alegando descumprimento de ordem judicial.

Com o resultado, Zambelli segue oficialmente deputada, embora impedida de exercer suas funções enquanto cumpre pena no exterior.

Câmara aprova a dosimetria em meio a forte tensão política

A aprovação do chamado PL da Dosimetria pela Câmara dos Deputados, na madrugada desta terça, virou um dos movimentos mais significativos do Congresso neste fim de ano. O texto aprovado por ampla maioria, mas sob clima de tumulto e acusações de atropelo, altera a forma de cálculo das penas aplicadas a condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Foto: Agência Câmara dos Deputados

Além de rever critérios de soma de penas e facilitar a progressão de regime, o projeto abre caminho para redução expressiva das condenações já impostas pelo STF. Na prática, beneficia diretamente Jair Bolsonaro e outros envolvidos no episódio, ao permitir que penas longas sejam reavaliadas segundo novos parâmetros.

A votação dividiu o plenário e acendeu alertas na oposição, que acusa a base governista de tentar reescrever a responsabilização penal de um dos momentos mais graves da história recente. Já defensores do projeto afirmam que se trata de corrigir “excessos” e garantir proporcionalidade jurídica.

O texto segue agora ao Senado, onde a expectativa é de tramitação rápida. Caso avance, o impacto político será inevitável: além de reconfigurar o destino de condenados, a mudança projeta efeitos sobre a credibilidade das instituições e sobre o próprio debate democrático no país.

Deputada na defesa do produtor de leite e do agronegócio

A deputada federal Daniela Reinehr (PL/SC) conquistou duas importantes vitórias para o setor agro nesta semana.

Na Comissão de Finanças e Tributação, foi aprovado o PL 4309/2023, de sua autoria, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para venda como leite fluido no país. A proposta busca proteger o consumidor e valorizar o produtor nacional, prejudicado pela concorrência com produtos subsidiados do exterior.

Na Comissão de Agricultura, Daniela também relatou e obteve aprovação do PL 3499/2024, que moderniza a política agrícola brasileira, fortalecendo pesquisa, inovação e sustentabilidade no campo.

Segundo a deputada, as medidas representam “um avanço importante na defesa de quem produz”, garantindo qualidade ao leite brasileiro e promovendo um futuro mais inovador e competitivo para o agronegócio.

Informações assessoria de imprensa / Foto: Agência Câmara

Risco de reviravolta na decisão de mais de 300 deputados

A ampla maioria da Câmara dos Deputados, que aprovou com mais de 300 votos a favor o projeto de anistia, pode ver sua decisão ser modificada. Um novo projeto em discussão no Congresso prevê a aplicação da dozimetria das penas aos condenados pelo 8 de janeiro, o que pode alterar de forma significativa o alcance da medida.

Câmara dos Deputados / Goto: Agência Câmara

Na prática, a proposta busca estabelecer critérios mais rígidos, limitando a concessão da anistia ampla e restrita aprovada pela Câmara. Caso avance, o texto pode sepultar o entendimento já consolidado pela maioria dos parlamentares, reabrindo o debate em um tema considerado sensível e que mobiliza diferentes correntes políticas.

Nos bastidores, parlamentares da base governista avaliam que a mudança seria uma forma de “corrigir excessos” e evitar que crimes graves sejam contemplados pela anistia. Já setores da oposição classificam a iniciativa como uma tentativa de “desfigurar” a decisão soberana do plenário e adiar a pacificação política que o país necessita.

Lideranças partidárias afirmam que a disputa promete se intensificar nos próximos dias. Enquanto defensores da dozimetria defendem critérios objetivos e proporcionais, os críticos alertam que a manobra pode abrir espaço para insegurança jurídica e colocar em xeque a palavra final do Congresso.

A anistia como caminho para a pacificação nacional

A aprovação da urgência para o projeto de anistia (PL 2162/23), na noite desta quarta-feira (17), abre um novo horizonte para a política brasileira. Por 311 votos a favor, 163 contra e 7 abstenções, a Câmara decidiu levar o texto diretamente ao Plenário, sem passar pelas comissões.

Com urgência aprovada, anistia poderá ser votada sem trâmite nas comissões / Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Foi um gesto ousado: enfrentar de vez as feridas abertas desde as eleições de 2022 e buscar uma solução política para um impasse que o Judiciário sozinho não conseguiu resolver. É evidente que os atos de 8 de janeiro de 2023 foram graves e inaceitáveis.

Mas também é verdade que milhares de pessoas hoje estão sendo criminalizadas de forma indiscriminada, muitas sem participação direta nos episódios de violência. O debate da anistia pode ser a oportunidade de separar responsabilidades, aliviar o peso sobre aqueles que foram arrastados pela onda dos acontecimentos e, ao mesmo tempo, preservar a punição para lideranças que de fato atentaram contra as instituições.

Oportunidade para virar a página

A anistia, nesse sentido, não deve ser confundida com impunidade. Trata-se de um instrumento previsto em democracias maduras para virar páginas traumáticas e permitir que o país avance. O Parlamento, ao assumir esse papel, reafirma sua função de mediador político e recoloca no centro do debate a ideia de reconciliação, algo essencial em um Brasil ainda tão dividido.

Se bem conduzida, a medida pode encerrar um ciclo de perseguições, reduzir a polarização e devolver confiança às instituições. Mais do que um gesto de clemência, seria um passo estratégico para estabilizar o país, permitindo que o governo e a sociedade foquem no que realmente importa: desenvolvimento, segurança jurídica e fortalecimento da democracia.

O desafio agora é construir um texto equilibrado, que pacifique sem desmoralizar o sistema de Justiça e que permita ao Brasil, finalmente, virar a página.