A anistia como caminho para a pacificação nacional

A aprovação da urgência para o projeto de anistia (PL 2162/23), na noite desta quarta-feira (17), abre um novo horizonte para a política brasileira. Por 311 votos a favor, 163 contra e 7 abstenções, a Câmara decidiu levar o texto diretamente ao Plenário, sem passar pelas comissões.

Com urgência aprovada, anistia poderá ser votada sem trâmite nas comissões / Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Foi um gesto ousado: enfrentar de vez as feridas abertas desde as eleições de 2022 e buscar uma solução política para um impasse que o Judiciário sozinho não conseguiu resolver. É evidente que os atos de 8 de janeiro de 2023 foram graves e inaceitáveis.

Mas também é verdade que milhares de pessoas hoje estão sendo criminalizadas de forma indiscriminada, muitas sem participação direta nos episódios de violência. O debate da anistia pode ser a oportunidade de separar responsabilidades, aliviar o peso sobre aqueles que foram arrastados pela onda dos acontecimentos e, ao mesmo tempo, preservar a punição para lideranças que de fato atentaram contra as instituições.

Oportunidade para virar a página

A anistia, nesse sentido, não deve ser confundida com impunidade. Trata-se de um instrumento previsto em democracias maduras para virar páginas traumáticas e permitir que o país avance. O Parlamento, ao assumir esse papel, reafirma sua função de mediador político e recoloca no centro do debate a ideia de reconciliação, algo essencial em um Brasil ainda tão dividido.

Se bem conduzida, a medida pode encerrar um ciclo de perseguições, reduzir a polarização e devolver confiança às instituições. Mais do que um gesto de clemência, seria um passo estratégico para estabilizar o país, permitindo que o governo e a sociedade foquem no que realmente importa: desenvolvimento, segurança jurídica e fortalecimento da democracia.

O desafio agora é construir um texto equilibrado, que pacifique sem desmoralizar o sistema de Justiça e que permita ao Brasil, finalmente, virar a página.

Manifesto pela anistia do 8 de janeiro em Copacabana (RJ)

O movimento se estendeu em algumas cidades catarinenses. Caso de Chapecó que foi às ruas em defesa da anistia e inflou o Pixuleco / Foto: Wilson Cidrão

Em ato na Praia de Copacabana, neste domingo (16), o ex-presidente Jair Bolsonaro reuniu milhares de apoiadores no Rio de Janeiro para um ato pedindo anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Durante o ato, Bolsonaro e outros políticos, como governadores e parlamentares, discursaram em defesa da liberdade de expressão e criticaram o governo atual.

Por outro lado, como sempre se discute, qual o número de manifestantes? Pesquisadores da USP afirmam que eram cerca de 18 mil pessoas, enquanto a Polícia do RJ estimou 400 mil pessoas. Não passou em branco no ato, a pressão sobre o Congresso para que avance com o projeto de anistia na Câmara e no Senado.

Governadores como Tarcísio de Freitas e Cláudio Castro também reforçaram o pedido. Também, por mais que Bolsonaro esteja inelegível, os manifestantes defenderam o retorno dele ao poder. Em resumo, como líder conservador e de direita, ele ainda consegue levar multidões às ruas. Em Santa Catarina houve também manifestos em algumas cidades, caso de Chapecó.

PL da Anistia aos envolvidos em atos do 8 de janeiro

O parecer foi lido pelo deputado Rodrigo Valadares (União-SE), nesta terça-feira (8), na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, recomendando a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. No entanto, um pedido de vista adiou a votação da matéria para a próxima semana, numa estratégia da situação.

A deputada catarinense Caroline De Toni, presidente da CCJ, acredita que o PL terá o mérito aprovado na próxima semana / Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Conforme disse a deputada Caroline De Toni, a obstrução da esquerda foi vencida e o PL da Anistia, avançou. Assim, na semana que vem o mérito deverá ser votado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), a qual, ela preside.

Recomendação

O deputado Valadares recomenda, em seu texto, a aprovação de substitutivo de sua autoria ao Projeto de Lei 2858/22, do ex-deputado Major Victor Hugo (GO), e outros seis apensados. O texto prevê que serão anistiados todos aqueles que participaram de atos com motivação política ou eleitoral, ou que os apoiaram com doações, apoio logístico, prestação de serviços ou publicações em mídias sociais entre 8 de janeiro de 2023 e a data de vigência da futura lei.

Deputado Rodrigo Valadares / Foto: Arquivo Câmara dos Deputados

A medida beneficia, por exemplo, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de incitar os atos em vídeo publicado nas redes sociais. O texto também perdoa os crimes praticados pelos extremistas inconformados com o resultado das eleições de 2022 que depredaram os palácios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Planalto em uma tentativa de perturbar a ordem pública.

Rigor excessivo

Segundo ainda Rodrigo Valadares, os eventos de 8 de janeiro se deveram a um “sentimento de injustiça” de muitos brasileiros após o segundo turno das eleições de 2022. “Muito desta indignação se deu por muitos experimentarem serem derrotados em uma disputa eleitoral pela primeira vez, devido ao aumento do interesse da nossa população pela política, que passou a acompanhar as mais diversas discussões neste ambiente nos últimos anos”, afirmou o relator.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

PL de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro teve parecer favorável

O deputado Rodrigo Valadares (União-SE) apresentou nesta terça-feira (10) à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados parecer favorável a projeto de lei que concede anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

A Comissão de Constituição e Justiça reunida nesta terça / / Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A análise do texto, no entanto, ficou prejudicada pelo início da Ordem do Dia do Plenário. Na verdade, uma manobra articulada pela situação e a própria presidência da Casa, que antecipou as atividades no Plenário. Tudo para postergar e quem sabe impedir o avanço da proposta da anistia.

Anistia

O substitutivo proposto por Valadares ao Projeto de Lei 2858/22, do ex-deputado Major Victor Hugo (GO), e outros seis apensados, prevê que serão anistiados todos aqueles que participaram de atos com motivação política ou eleitoral, ou que os apoiaram com doações, apoio logístico, prestação de serviços ou publicações em mídias sociais entre 8 de janeiro de 2023 e a data de vigência da futura lei.

A medida beneficia, por exemplo, o ex-presidente, Jair Bolsonaro, que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por incitar os atos em vídeo publicado nas redes sociais.

O texto também perdoa os crimes praticados pelos extremistas inconformados com o resultado das eleições de 2022 que depredaram os palácios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Planalto em uma tentativa de perturbar a ordem pública.

Princípios jurídicos

Segundo Valadares, a depredação de patrimônios públicos, além da destruição de diversos patrimônios históricos e culturais como obras de arte, estátuas e monumentos entristecem a todos. No entanto, as prisões desrespeitaram princípios jurídicos basilares como a presunção de inocência, a individualização das condutas e o direito ao contraditório”, acrescenta o relator.

As medidas se aplicam a todos que participaram de eventos antes ou depois do 8 de janeiro, desde que mantenham correlação com os fatos. Por fim, o substitutivo define como abuso de autoridade a instauração de procedimento investigatório relacionado aos atos amparados pela anistia. (Fonte: Agência Câmara de Notícias)

Anistia aos presos do 8 de janeiro deverá ser votada na CCJ

A proposta já se encontra na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Câmara dos Deputados e poderá ser votada ainda nesta terça-feira (10). O Partido Liberal (PL) conta com o maior número de deputados, são 92 dos 513.

Deputada Caroline De Toni, ao centro, preside a CCJ na Câmara / Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Portanto, poderá decidir na escolha do futuro presidente da Casa, e todos se comprometem em apoiá-lo, caso ele se comprometa e pautar a anistia aos presos acusados de participar do ataque às sedes dos Três Poderes, no 8 de janeiro. O grupo poderá ser definitivo na disputa da presidência, prevista para fevereiro de 2025.

Para a presidente da CCJ, a também catarinense, Caroline De Toni (PL), a PL da Anistia é uma oportunidade de restaurar os direitos daqueles que foram injustamente perseguidos. “Portanto, se o presidente Arthur Lira (PP-AL) quer ter os votos da direita para seu sucessor na Câmara, terá que pautar ainda este ano a anistia aos presos políticos”, disse.

Por outro lado, na segunda-feira (9), à tarde, foi protocolado no Senado, o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.

“8 Janeiro”: exposição e ato em defesa da democracia

No primeiro aniversário dos eventos na Praça dos Três Poderes, a Câmara dos Deputados inaugura a exposição “8 de janeiro”, no Salão Verde. A exposição pretende motivar a reflexão sobre a importância do Parlamento como espaço para o diálogo entre os divergentes e a formação de consensos, em ambiente transparente e onde sempre prevaleça a força da política sobre a política da força.

O ato previsto para esta segunda-feira reúne os presidentes dos poderes em defesa da democracia. Aliás, algo que depende somente deles. (Foto: Joédson Alves / Agência Brasil)

Conhecida como a Casa do Povo, a Câmara reconhece a importância de preservar a memória para fortalecer a democracia. Por outro lado, o Congresso Nacional será o palco do ato Democracia Inabalada, nesta segunda-feira (8), com a participação dos presidentes dos três Poderes.

O evento marca um ano dos atos de vandalismo e depredação dos palácios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Planalto por extremistas que contestavam o resultado das eleições de 2022. A cerimônia começará às 15 horas, no Salão Negro do Congresso Nacional.

Entre os presentes, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira; o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco; o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, entre outros. (Fonte: Agência Câmara de Notícias)

Operação contra financiadores do 8 de Janeiro

A Polícia Federal (PF) cumpre nesta segunda-feira, 8, 46 mandados de busca e apreensão, além de dois mandados de prisão preventiva, especificamente na Bahia e em Goiás.

Divulgação / Polícia Federal

As ações integram a 23ª fase da Operação Lesa Pátria, que tem como objetivo investigar e prender suspeitos de financiar e incentivar os atos do 8 de Janeiro, episódio ocorrido no ano passado, quando as redes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília.

No total, são cumpridas as ações de busca e apreensão em diversos Estados do país, como Bahia (2), Distrito Federal (5), Goiás (2), Maranhão (4), Minas Gerais (2), Mato Grosso (10), Paraná (1), Rondônia (1), Rio Grande do Sul (13), Santa Catarina (2), São Paulo (1) e Tocantins (3). (Fonte: Jovem Pan)

Leitura do relatório da CPMI do 8 de Janeiro

A relatora da CPMI do 8 de Janeiro, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), apresentou o relatório final com 61 pedidos de indiciamento, entre eles, o do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, apresentado nesta terça-feira (17), traz ainda como indiciados integrantes militares do governo Bolsonaro próximos ao ex-presidente.

Eliziane apresenta o relatório ao lado do presidente da CPMI, deputado Arthur Maia / Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Por outro lado, oposicionistas apresentaram dois votos em separado apontando omissão do governo federal para impedir os ataques. Eles pedem o indiciamento do presidente Lula e citam a falta de provas que sustentem a criminalização de Bolsonaro. Um pedido de vista transferiu a discussão e votação do relatório final para esta quarta-feira (18). (Fonte: Agência Senado)

CPMI de 8 de janeiro

Senador Jorge Seif / Foto: Pedro França/Agência Senado

O senador Jorge Seif ao conversar com o governador Jorginho Mello, durante uma live via redes sociais na noite desta terça-feira (4), aproveitou para expor a pressão que vem sendo exercida sobre o presidente da Casa, o senador Rodrigo Pacheco, (PSD/MG) para que seja instalada a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

Segundo Seif, no Senado, já são mais de 35 assinaturas, e na Câmara dos Deputados, em torno de 190. Garantiu que existe o comprometimento de Pacheco de priorizar a instalação da Comissão, próxima semana, mesmo com toda a máquina do governo Lula, remando contra.

Seif em live com o governador Jorginho Mello

Nesta que foi a primeira feita live feita pelo senador Jorge Seif neste ano, tendo como convidado o governador Jorginho Mello, ambos do PL. A conversa fluiu animada, mas que trouxe temas que interferem no pleito de 2024.

Nos planos do Partido, a ideia da eleição de 1000 pessoas, entre prefeitos, vices e vereadores, em todo o Brasil. Já em Santa Catarina, a pretensão é chegar a 100. Jorginho Mello, que é o presidente do PL em Santa Catarina, adiantou que está trabalhando desde já para recrutar novos partidários, especialmente, prefeitos e vereadores.

Citou a força do ex-presidente Jair Bolsonaro, como grande timoneiro para manter o legado da direita conservadora no Brasil, e que ele já está convidado a visitar Santa Catarina, juntamente com a esposa Michelle.

Está no escopo do Partido Liberal de SC, logo após os 100 dias de governo, organizar reuniões regionais, com a participação do senador Seif, de deputados estaduais e federais, a apresentar o planejamento para o pleito de 2024.

100 dias de governo

Na conversa com o senador, Jorginho Mello adiantou que irá apresentar o balanço dos 100 dias de governo, na segunda-feira (10), na Casa da Agronômica. Citou alguns pontos, como os serviços de cirurgias eletivas que já atenderam mais de 22 mil pessoas; os 500 quilômetros da rede trifásica em áreas rurais de Santa Catarina, o plano de implantação da Faculdade Gratuita que está dando entrada na Assembleia Legislativa, também o Plano de Ajuste Fiscal. Enfim, todas as ações até agora implementadas.

Policiais Penais

Indagado pelo Senador sobre a situação dos policiais penais, Jorginho garantiu está no planejamento do governo, e que também faz parte de compromisso de campanha, chamar os 465 policiais penais concursados, até a metade deste ano.

Pesa também a preocupação da dispensa dos 541 ACTs, que também dependem do emprego para o sustento de suas famílias. Portanto, tudo está sendo pensado com calma, para que haja uma transição mais bem trabalhada.

Não falou nada a respeito de alguma estratégia a ser adotada para valorizar as demais classes da segurança pública, como as polícias civil, militar ou bombeiros, embora a questão tenha sido citada pelo senador Jorge Seif, durante a live.